O escritor Valter Hugo Mãe disse, em um livro encantador chamado O Filho de Mil Homens, que “ser o que se pode é a felicidade”. Espero que ele não se incomode por eu ter tirado totalmente de contexto a citação, mas esse se tornou meu lema para atravessar 2020.
Junto com as preocupações provocadas por uma inimaginável pandemia, 2020 também me trouxe clientes de novas áreas, com demandas que não têm fórmulas prontas para serem atendidas. Foi preciso criar soluções buscando novos conhecimentos, aprendendo na prática e contando com a sorte de ter por perto – ainda que com distanciamento – colegas de rede tão competentes quanto generosos, sempre dispostos a compartilhar o que sabem.
Graças a essas novidades, minha maior conquista profissional no último ano foi levar um cliente que desenvolve um trabalho tão importante, mas estritamente técnico como uma consultoria de engenharia ambiental, a conquistar espaço na imprensa. É claro que a bagagem e o talento da minha parceira de atendimento, Jéssica Panazzolo, foram essenciais. E assim, conseguimos encerrar o ano com a missão cumprida, boas perspectivas e a certeza de estarmos levando informações valiosas sobre sustentabilidade e meio ambiente a diferentes setores.
A conquista fica maior quando lembramos que a pandemia adicionou desafios ao cenário. Em tempos de isolamento social, há a dificuldade de encontrar repórteres nas redações, a menor receptividade a pautas diversas e, é claro, uma lista de demandas dentro de casa que disputam nossa atenção.
Valter Hugo Mãe certamente não imaginava que uma frase de seu livro bonito sobre as histórias de amor de um pescador poderia puxar alguém pela mão ao longo de um ano tenso. Mas foi o que aconteceu. Entre tantas demandas e a famigerada sobrecarga das mulheres, lembrar de ser o que se dá conta é fundamental.
Em casa, as tarefas domésticas te lembram o tempo todo que continuam ali, te aguardando. Algumas – especialmente as que envolvem filhos – aguardam com menor paciência e de modo um tanto mais barulhento. Por isso, o home office pode ser estressante para quem se obriga a chegar ao fim do dia com a checklist zerada.
O ano de 2020 chegou ao fim provando que Valter Hugo Mãe tem razão: a gente só vive bem quando se concentra em ser – e fazer – o que pode. E o que é mais importante. Seja no home office, seja na vida, priorizar e olhar com atenção para o agora, deixando o depois para… bem, para depois, é fundamental.
Se eu pudesse dar um conselho a quem está equilibrando pratos nessa vida de trabalhador remoto, seria esse: não queira ser profissional, dona de casa, mãe, pai, jardineiro, pai de pet e personal organizer simultaneamente. Escolha o que é urgente e deixe o resto para depois.
Se eu pudesse dar mais um conselho (eu posso?), recomendaria aproveitar o tempo livre lendo Valter Hugo Mãe. Em tempos incertos, um abraço em forma de livro sempre cai bem.