Por que para mim home office significa liberdade

Eu sei que uma coisa é a imposição e outra é a opção. Mas achei que, diante do cenário imposto pela pandemia do COVID-19, ao compartilhar a minha decisão espontânea pelo home office, poderia contribuir para que algumas pessoas enxerguem essa situação por um novo prisma. Trabalhar em rede pressupõe, pelo menos no caso da TECERE, conectar pessoas cujos talentos façam sentido para o perfil da rede e dos clientes que atendemos. Temos nossos critérios para decidir quem entra ou não na rede. No entanto, eles não passam nem perto da questão “localização” – aliás, uma das nossas parceiras está no Vietnã há meses; outra vive no Rio Grande do Sul; outra, em Minas Gerais. 

Não importa onde o parceiro esteja. O que vale é a sua capacidade intelectual, suas habilidades na área que escolheu atuar, sua disponibilidade para entrar em conferências com o cliente quando é preciso e, tão relevante quanto tudo isso, seu modo de encarar a vida e a profissão. Este “modo” tem que se conectar com conceitos como liberdade, autonomia, autogestão, comprometimento, vontade de fazer e, sim, uma boa dose de confiança no próprio taco. 

Vamos começar pela liberdade. Não pense que ela significa trabalhar pouco ou menos do que quando se está em um ambiente corporativo tradicional. Ao contrário do que se pensa, é necessário ter muita disciplina para não deixar o trabalho tomar conta das 24 horas do dia. E imagino que, agora que você está experimentando essa vivência, já deve ter percebido isso. Tenho ouvido muita gente dizer que está trabalhando mais. Essa é a hora de você definir seus sim e não, de estabelecer quais são os seus limites e o que funciona para você. É um processo de autoconhecimento que traz ganhos para a vida, garanto. 

Você escolhe se vai aproveitar aquela brecha na agenda do doutor às duas da tarde para garantir a consulta médica. Você escolhe se vai aproveitar o tempo que usaria para se deslocar ao trabalho para se exercitar. Você escolhe se assumirá um compromisso pessoal pela manhã, de modo que termine os afazeres à noite. Você escolhe se vai produzir de casa, da praia, do campo, da praça, do café…..Você escolhe. Você gerencia seu tempo, o que significa que, basicamente, diariamente você vai definir o quanto dele vai usar para fazer dinheiro, para se dedicar à tarefas cotidianas, para se esbaldar com aquilo que te dá prazer. O equilíbrio é totalmente possível. 

Claro, há momentos de pico de trabalho em que essa escolha está intrinsecamente ligada ao comprometimento. E aí acontece de preparar o almoço ao mesmo tempo em que troco dezenas de mensagens no WhatsApp. Como com o prato na frente do computador, respondendo a e-mails. Uma vez que você se compromete com a entrega, não importa quando, nem onde vai se dedicar à ela. Afinal, eu disse “sim” ao job. Então, “bora” dar conta do recado, entregar no prazo e com a qualidade que a rede TECERE prioriza, ou seja, algo absolutamente longe da mediocridade. 

Imaginem o quanto o trabalho aqui não aumentou com essa crise. Todos os clientes tiveram mudança de rota e a comunicação precisou apoiar as novas estratégias. Então, lá fomos nós para os momentos de pico de novo. Estava fora de questão não nos envolvermos nas dores dos clientes. E ainda bem que nos enxergam como parte importante nos processos de mudanças. Isso é sinal de temos feito a coisa certa. 

Unimos forças para atuar com agilidade em todos os atendimentos e, sim, fizemos isso a distância. Cada integrante da equipe atuando da sua casa. Trabalhamos à noite, nos fins de semana, nos feriados. Quarentena non-stop por aqui. Estamos abusando das tecnologias que obviamente já eram nossas aliadas. Grupos (bem organizados) de WhatsApp, arquivos (devidamente) compartilhados no Google Drive, projetos e tarefas (gerenciados) no Asana, encontros e alinhamentos no Zoom e Whereby… 

Estamos a distância, mas estamos a postos, cuidando das relações. Afinal, viver em home office não é se isolar. Não mesmo. Na nossa rotina, reuniões em clientes acontecem semanalmente. Reuniões de prospecção se não acontecem diariamente, deveriam acontecer. Almoço e/ou cafezinho com colegas, amigos, clientes, profissionais da própria rede é programa obrigatório. É uma excelente forma de captar movimentos de mercado, informações de bastidores, de plantar sementinha. Conversas de hoje viram prospecção amanhã. Por isso, esteja em home office, mas não saia de cena. Nunca. 

Buscar contato com outras pessoas para aquecer as ideias, renovar pensamentos, testar crenças e, até mesmo, falar de amenidades (para não escrever futilidades) é indispensável. É como aquele momento do cafezinho no corredor da empresa. Aqui, a gente faz ele acontecer. 

Não tenho dúvidas de que essa experiência coletiva de home office vai fazer as pessoas se abrirem para novos modelos. Embora haja empresas que já se sintam seguras com o nosso modelo de rede – vide nossos clientes – ainda existia muito estranhamento no mundo corporativo com a nossa escolha. Tenho certeza de que isso cairá por terra daqui em diante. 

Que venham os novos tempos. Nós, da rede TECERE, já estamos nele e seguimos dispostos a compartilhar todos os nossos aprendizados.

*Thays Aldrighe é jornalista, empreendedora e idealizadora da @rede.tecere 

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