Por Thays Aldrighe*
Não importa o que você gerencia – seja vendas, processos, marcas, projetos -, tudo é feito de pessoa para pessoa. Tudo é construção de relação. Em todos esses aspectos não estamos falando de nada menos do que de gente. E pessoas querem ser ouvidas, respeitadas e consideradas nas tomadas de decisão. Em um ambiente de comando e controle, esse cenário é utópico. Mas onde há colaboração, cocriação e confiança no outro, é totalmente possível fazer valer a voz de cada integrante do grupo. Isso é viver em rede. É construir soluções reunindo saberes, tendo a certeza de que cada um oferece o que tem de melhor. O resultado disso é satisfação para quem entrega e qualidade para quem recebe. Vai por mim, não tem como dar errado.

Passamos 2019, nosso primeiro ano operando oficialmente como @rede.tecere, experimentando esse modelo colaborativo. Eu, particularmente, nunca tive um ano tão bem sucedido, desde que comecei a empreender, em 2008. No ano passado, a rede se estruturou com um time de parceiros que se apoia e se complementa. Vale dizer que somos todos seniores, condição para estar na rede, inclusive. Juntos, conquistamos clientes de peso, como o Instituto Unibanco, a AMATA, o Empório 481, a Fundação Toyota, a americana do mercado de real state JLL, a dinamarquesa Fibertex, e por aí vai. Juntos, estamos quebrando barreiras, mudando cláusulas de contrato de prestação de serviço, mostrando para o mercado que escolher uma rede é apostar em uma equipe altamente engajada que coloca o saber coletivo a favor das marcas dos clientes.
Não tenho dúvidas de que nosso 2020, nosso segundo ano de operação, será de tirar o fôlego. Sim, porque vamos trabalhar muito. Afinal, a união de todos os intelectos que compõem a @rede.tecere hoje é capaz de solucionar qualquer desafio de comunicação.
E, se for preciso, os próprios integrantes da rede acionam sua rede para buscar a inteligência eventualmente necessária para que a entrega ao cliente seja certeira. O que importa é ter o profissional certo para aquele desafio. Não somos como uma agência, que, em geral, aloca o recurso disponível para atender o cliente que acabou de chegar. Aqui existe um processo de hunting interno para fazer parte do projeto. E o parceiro, obviamente, tem a opção de querer ou não atuar naquele job.
Mas chegar a esse modelo, ter coragem de encarar essas novas relações de trabalho e se posicionar como rede no mercado não foi tão simples, tampouco foi fácil. Nasci e cresci na era do comando e controle. Tanto em casa – ai de mim, se não obedecesse aos mandos dos pais – quanto no trabalho. Comecei a trabalhar em 1992. Ou seja, estamos falando de quase três décadas em ambiente no qual manda quem pode e obedece quem tem juízo. Quando não estava sendo comandada, estava comandando – a mando de alguém, diga-se de passagem.
Quando me tornei empreendedora, estabeleci, claro, o comando e controle. Fazia o que achava que era certo. E bem ou mal foi assim que estabeleci minha carreira. Portanto, não deixo de agradecer todos os chefes e líderes com os quais cruzei e também colaboradores que contratei.
E foi, inclusive, um dos trabalhos que realizei que me fez ressignificar valores. Alexandre Moreno, fundador da Syntese Educação Corporativa, convidou-me para ser sua ghostwriter. O plano era fazermos, juntos, um livro sobre facilitação. E eu, no auge da minha então arrogância, logo pensei: “juntos?”. Como alguém vai me pagar para eu fazer um trabalho e ainda vai me ajudar a fazê-lo? Paguei a língua. Fizemos, sim, o projeto a quatro mãos.
Foi uma experiência avassaladora. Não só por cocriar um projeto e ainda receber por isso, mas por conta do tema. A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), do psicólogo humanista Carl Rogers norteia toda a narrativa do livro. Ou seja, ler Carl Rogers e me aprofundar na sua abordagem foi uma terapia de choque. A ACP tem como pressuposto a tendência atualizante e, a partir dela, compreende-se que existem três posturas que podem facilitar o desenvolvimento humano. São elas:
- Compreensão empática
- Congruência
- Aceitação incondicional positiva
Como está no livro “Facilitação – Um jeito de ser”, tendência atualizante é, justamente, a convicção de que todo ser vivo busca o melhor para si. Tudo no universo está em formação e tem uma tendência formativa. Mas, ao longo da vida, aprendemos a não confiar na nossa atualização e nos desvinculamos de nós mesmos. Então, muitas vezes, encontramos como forma de atualização o ato de fazer escolhas tidas pelos outros como as certas, as melhores ou as mais adequadas. O resultado é uma insatisfação coletiva.
Foi assim, na ânsia de fugir da insatisfação coletiva, que entendi que o melhor caminho é a união de saberes. Já com uma ideia de rede na cabeça, chamei o amigo e consultor Danilo Cruz para me ajudar a sistematizar um modelo de relação de trabalho ganha-ganha. Foram tardes intensas, usando metodologias ágeis para chegar ao que a @rede.tecere é hoje. De início, somente eu e ele. Depois, amigos que atuavam comigo em projetos se juntaram a nós.
Criamos nossa essência, nosso golden circle e nossos princípios (compartilharei isso em um próximo post).
O passo seguinte foi apresentar o modelo a um grupo de profissionais em quem eu sempre confiei para que avaliassem se queriam se conectar a essa nova proposta. Deu certo. Alguns vieram logo de início. Outros chegaram depois. E hoje vivemos uma rotina de trabalho leve, embora o volume de projetos seja bastante alto (que bom!). Todos fazemos o que amamos. Somos jornalistas, designers, marketeiros, publicitários, fotógrafos, vídeomakers, desenvolvedores, especialistas em digital, em branding… Cada um de nós está cercado de profissionais que admira, atendemos clientes com uma cultura alinhada ao “nosso jeito”, e ainda ganhamos para isso. O que mais eu posso querer? Mais clientes e parceiros que queiram enredar conosco.
*Thays Aldrighe é jornalista, empreendedora e idealizadora da @rede.tecere
