*Por Larissa Coldibeli
Em outubro do ano passado, deixei a minha casa, em São Paulo, rumo à Tailândia para embarcar na aventura de um mochilão pelo Sudeste Asiático, sem data para voltar. O principal desafio era conciliar a vida de viajante com o trabalho, que eu já exercia remotamente há cerca de quatro anos. Sou produtora de conteúdo e revisora e, como autônoma há tanto tempo, já tinha uma rotina de trabalho estabelecida, com cliente fixo na Rede TECERE e outros eventuais.
Ainda assim, foram muitos os medos ao iniciar essa aventura. Uma coisa é trabalhar no conforto do lar, na minha escrivaninha, rodeada pelos meus bloquinhos de anotações e com internet ultrarrápida. Outra coisa é trabalhar em um quarto de hotel, muitas vezes sem mesa de apoio (a ergonomia mandou beijos!) e com conexão instável.
Meu objetivo não era morar fora, me estabelecer em um novo local. Era viajar e conhecer o máximo de lugares possíveis. E assim eu fiz: foram seis meses viajando, por três países (Tailândia, Indonésia e Vietnã), aproveitando o tempo de visto permitido em cada um.
Ao todo, foram 25 cidades e 34 acomodações dos mais diferentes tipos – hostel, home stay, Airbnb, hotel e resort. A escolha dependia, é claro, do orçamento e da necessidade do momento. Se o volume de trabalho era alto, escolhia uma acomodação com mesa de trabalho e com wi-fi bem avaliado. No fim do ano, quando os clientes tiram férias coletivas ou trabalham em esquema de plantão, me dei o luxo de uns dias de relax num resort em Bali.
A jornada foi um grande aprendizado pessoal e profissional. Aprendi que, diferentemente do que vendem os gurus do nomadismo digital, não dá para levar o computador para a praia e trabalhar num calor de quase 40 graus. Aprendi que não dá para ser muito produtiva depois de turistar o dia inteiro. Mas também aprendi que ter uma agenda de passeios e viagens para os próximos dias é uma excelente motivação para o trabalho.
Estando na Ásia, eu tinha o fuso horário como trunfo. Quer dizer, depende do ponto de vista. A diferença era de, no mínimo, 10 horas, então, quando era dia no Brasil, era noite onde eu estava. Assim, eu tinha mais tempo para organizar as entregas sempre para o começo do dia útil no Brasil. Por outro lado, as entrevistas, reuniões e o contato com os clientes e parceiros eram sempre à noite para mim.
Por sorte – ou graças ao alinhamento de valores entre os clientes e eu -, nunca tive dificuldades para concentrar os compromissos num horário que não me fizesse sair da cama no meio da madrugada, por exemplo. Todas as pessoas com quem trabalhei neste período sabiam onde eu estava e a comunicação fluía bem, mesmo com a diferença de horário.
À distância, comemorei o lançamento do livro “Desafios da Primeira Gestão” (Editora Qualitymark), do consultor Costábile Matarazzo, em que atuei como ghostwriter pela Rede TECERE. Além de manter os clientes que tinha antes de viajar, conquistei outros canais de publicação para o meu trabalho e desenvolvi novas habilidades, novos estilos de escrita.
No UOL, publiquei matérias sobre lugares curiosos que visitei, como os restaurantes de Bangcoc e uma ilha onde o consumo de cogumelos alucinógenos é comum (detalhe: ela fica na Indonésia, que tem pena de morte para tráfico).
E, então, veio o coronavírus, que fechou as fronteiras e parou o mundo. Eu estava no Vietnã, um país autoritário que controlou as contaminações de maneira exemplar – também contei sobre isso no UOL. Mas, diante de toda a incerteza da situação, segui a recomendação da Embaixada Brasileira em Hanói e decidi voltar para o Brasil num voo de repatriação. Falei sobre a espera para o retorno no portal 6 Minutos e sobre como foi o voo de volta no UOL.
Agora, com a pandemia, (quase) todo mundo está em trabalho remoto. A tecnologia e as ferramentas que me possibilitaram viajar e trabalhar à distância estão no dia a dia de mais pessoas. A transformação digital está sendo acelerada nas empresas e caminhamos para um “novo normal” que ainda não sabemos como será. Mas, em qualquer cenário, conexão e comunicação serão fundamentais. E quero seguir trabalhando assim de qualquer lugar onde eu esteja.