Liderança balanceada nas organizações foi o tema da 2ª edição do “Tecendo Saberes”, realizado pela TECERE, em novembro. O evento tem como objetivo discutir temas da atualidade com profissionais renomados e de referência em seus mercados.
A TECERE, idealizada por Thays Aldrighe, que também atua como copresidente da PWN (Professional Women’s Networking São Paulo), acredita na equidade de gênero e na capacidade feminina de liderar projetos, equipes e empresas.
Foi essa a visão trazida pelas debatedoras convidadas:
- Lina Nakata, cientista de dados do GPTW Brasil (Great Place to Work Brasil), professora da FIA Business School e do Ibmec São Paulo e copresidente da PWN ao lado de Thays;
- Aline Leme, advogada, co-chair da Women’s Business Network Brasil e Legal Manager para Brasil e América Latina da JLL, consultoria imobiliária internacional em que as mulheres são 41% do total de funcionários – 33% na diretoria -, cliente que a TECERE tem orgulha em atender;
- Camila Junqueira, headhunter desde 2003 que já entrevistou centenas de executivas em processos seletivos para cargos c-level, sócia da FLOW Executive Finders, também cliente TECERE.
Thays abriu a conversa ressaltando a importância do tema. “O balanceamento é uma busca, uma promessa, ainda não é uma realidade. Por isso, o assunto está tão em pauta.”
O cenário da equidade de gênero nas organizações
Lina apresentou dados do GPTW, consultoria global que tem a missão de construir uma sociedade melhor por meio da melhoria do ambiente de trabalho e da experiência dos funcionários, transformando todas as empresas em lugares bons para trabalhar – para todos. “Quem não se sente em um ambiente favorável não será 100% produtivo”, destaca.
Os dados trazidos por ela reforçam a importância da equidade de gênero e da liderança balanceada nas organizações:
- Há mais de 20 anos, as mulheres são mais de 50% dos formandos do ensino superior, ou seja, elas têm mais qualificação.
- As mulheres tomam a maior parte das decisões de compra do varejo, inclusive em segmentos considerados masculinos, como o automotivo. “Se elas se juntarem, elas conseguem parar um mercado”, afirma.
- Por outro lado, há grandes problemas de remuneração. Para os mesmos cargos, as mulheres recebem cerca de 70% dos salários dos homens.
- Alguns fatores explicam essa diferença salarial – elas aceitam menos na proposta, não negociam, pedem menos promoção, pois se julgam menos competentes, menos líderes, menos ambiciosas. “É o que se chama de viés inconsciente, é uma percepção que está no inconsciente de homens e mulheres”, diz Lina.
As barreiras para a liderança balanceada nas organizações
A experiência de Camila como headhunter confirma essas informações. “Pelo o que vejo nas entrevistas, falta autoconfiança às mulheres. Na questão da negociação, muitas vezes, elas se apaixonam pelo projeto e vão pelo propósito, mais do que os homens”, compara.
Camila também reflete sobre os motivos que fazem a ascensão ser mais lenta na carreira da mulher. “No dia a dia, ela abre mão de certas coisas para estar mais perto da família e dos filhos, por exemplo. O homem faz menos concessões. Às vezes, é inconsciente, a mulher cede muito, mas é necessário dividir com o parceiro o que ela considera importante”, indica.
O caminho para o reconhecimento
Aline, da JLL, trabalha em uma companhia que ocupa a 46ª posição no ranking das melhores empresas nas Américas para executivas trabalharem e tem iniciativas como o WBN – Women’s Business Network, dedicado ao tema. Ainda assim, ela sofreu com as questões que afligem a maioria das mulheres – a autoconfiança e a síndrome do impostor, quando a pessoa tem dificuldade em aceitar suas conquistas e acha que pode ser “desmascarada” a qualquer momento.
Ela trouxe dados de uma pesquisa da Rede Mulher Empreendedora, que mostram que apenas 35% se declaram autoconfiantes para tomar decisões sobre seu negócio. Entre os homens, este número é de 50%.
Alguns motivos para isso são a mania de perfeição. “Se você espera atingir a perfeição, não progride, porque não realiza nada”, diz. Além disso, as mulheres, em geral, não fazem marketing pessoal por receio de parecerem arrogantes ao falar do próprio sucesso. Elas também não foram ensinadas a serem ambiciosas.
Ela deu dicas práticas para as mulheres trabalharem a autoconfiança:
- Atenção à linguagem corporal. Para ter uma postura vencedora, pratique a pose da Mulher Maravilha: permaneça com as mãos na cintura, peito estufado, cabeça erguida e respiração consciente por dois minutos. Isso eleva a taxa de testosterona do corpo e aumenta a autoconfiança.
- Melhore sua comunicação. Posicione-se, não se deixe ser interrompida.
- Reconheça seu valor, não espero reconhecimento dos outros.
- Aceite elogios.
- Mantenha seu bem-estar pessoal, reserve tempo para fazer o que gosta.
GPTW Mulher – iniciativa para premiar a equidade de gênero
Em 2019, ocorreu a 3ª edição do GPTW Mulher, que premia as melhores empresas para as mulheres trabalharem. Lina contou que é uma iniciativa recente pela falta de ações e políticas voltados ao tema nas empresas. “Em pesquisas anteriores, as empresas informavam que ofereciam manicure e homenagem no Dia das Mães. Isso não conta.”

Para concorrer, as empresas precisam atender a alguns requisitos, como ter, ao menos, 15% de mulheres no quadro geral de liderança. “Quando olhamos as empresas GPTW geral do Brasil, de 2013 a 2018, o número de CEOs mulheres é muito baixo. Começou com 2% e, atualmente, está em 10%. O evento desse ano teve como tema ‘10% não é metade’, pois as empresas comemoram esse número. Liderança balanceada é ter de 40% a 60% de mulheres na liderança”, ressalta.
Entre as companhias inscritas no GPTW Mulher, o faturamento cresceu, em média, 12,2% no último ano, comparado com uma média de 2,4% entre as empresas da lista geral do GPTW. “A gente acredita que, se existe liderança mais balanceada, os resultados são melhores”, diz Lina.
Algumas dicas do GPTW para promover a equidade de gênero na sua empresa:
- Liderança balanceada precisa ser planejada
- Coloque metas
- Crie modelos de referência
- Iguale a remuneração de homens e mulheres que ocupam cargos equivalentes
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