Por Jéssica Panazzolo e Thays Aldrighe, da Rede TECERE
O trabalho de assessoria de imprensa sempre teve seus desafios. Houve o tempo em que conseguir o e-mail do jornalista era a primeira vitória do assessor. Depois, com a chegada dos mailings, ter o número do telefone da mesa do repórter já garantia o follow up. Essa jornada foi evoluindo até chegar no que nós entendemos como o ápice deste trabalho: o relacionamento. A pandemia do COVID-19 só nos mostrou o quanto as relações são essenciais para o sucesso de uma estratégia de comunicação na qual o principal stakeholder da marca é o jornalista.
Considerando a premissa do bom relacionamento entre clientes e veículos, agora, este vínculo ganhou ainda mais expressividade. Os jornalistas não estão mais fisicamente nas redações e vivenciam uma nova experiência profissional, com fluxos e horas de trabalho alterados. Agora, assessores e clientes, durante as videoconferências, estão dentro das casas dos jornalistas, ou em contato direto com eles via WhatsApp.
Neste cenário, não há outra possibilidade senão a de atuar de forma estratégica, praticamente cirúrgica, fazendo escolhas precisas, focando na distribuição dos conteúdos em meios adequados, casando pertinência e relevância para clientes e veículos. Parece que dizer isso é chover no molhado. Afinal, o assessor de imprensa experiente sabe que essa forma de atuação é uma premissa.
No entanto, estamos falando de adicionar um pouco de empatia a essa receita. Imagine que, assim como você, o jornalista também deve estar se dividindo entre tarefas domésticas e profissionais. O volume de trabalho dele, inclusive, aumentou. As redações estão todas sobrecarregadas. Ele deve estar recebendo uma enxurrada de pautas por WhatsApp, sem contar as ligações. Sim, porque o follow up continua na agenda do assessor. Portanto, para ser “visto” pelo jornalista, a saída é oferecer pautas que fazem a diferença na entrega dele, e não somente na entrega do assessor para o cliente.
A TECERE nunca acreditou no modelo de “venda” de pauta. Não acreditamos que tudo é notícia, o tempo todo e para todo mundo. Também não acreditamos em “empurrar” pautas. De maneira oposta, quando pensamos estrategicamente uma pauta, levamos em conta a importância de estabelecer com editores e repórteres uma relação de confiança. Mostramos que somos um meio seguro de terem acesso a notícias que realmente importam para sua audiência.
No momento atual, esse modelo de trabalho se mostrou ainda mais produtivo. Como sempre apostamos no relacionamento, percebemos que os jornalistas se apoiaram ainda mais nas fontes com quem já tinham laços estabelecidos. E vice-versa.
Quando a live vira clipping
Outra mudança foi a criação de novos canais e formatos. O fenômeno das lives invadiu as redes sociais e chegou também aos veículos de comunicação, que abriram novas oportunidades de exposição à marcas. Assessores e clientes tiveram de se adequar a essa nova modalidade, já que o entrevistado está sozinho, sem a presença do assessor para auxiliá-lo durante a entrevista virtual. Essa nova dinâmica exigiu do assessor o desenho de novas orientações ao cliente. Exigiu que o papel de conector dos elos dessa cadeia – porta-voz e imprensa – passasse a ser exercido de forma mais cuidadosa.
Afinal, em tempos de pandemia, o assessor está “na casa” tanto do cliente quanto do jornalista. E, levando em conta a relação estreita, passa a conhecer um pouco da rotina de cada um deles. O relacionamento ficou ainda mais humanizado e acolhedor junto a porta-vozes e jornalistas, que passaram a se conectar também pelas problemáticas do dia a dia. Isso envolve empatia e escuta ativa.
Essa pandemia reforçou ainda mais a crença de que o trabalho da assessoria de imprensa é estabelecer o vínculo entre clientes, porta-vozes e jornalistas, gerando oportunidades de visibilidade de forma estratégica e sólida, com base em um relacionamento profissional e verdadeiro entre as pessoas, em uma relação proveitosa para todos.